5 de mar. de 2012

A Série de TV Mais Amada dos Anos 80

       O Incrível Hulk foi criado em 1962 por Stan Lee para a Marvel Comics, baseado em personagens como Frankenstein e no livro "O Médico e o Monstro". A série de TV estreou em 1978 e acabou em 1982, sendo reprisada no Brasil pela rede Globo até 1986 aos domingos ou à tarde na Sessão Aventura. 




     Quem viveu a época lembra bem do David Banner. Um cara simpático, que tenta ajudar todo mundo e sempre passa por problemas. Enquanto tenta achar uma cura para sua maldição, ele a cada episódio consegue um emprego diferente, usa um sobrenome diferente e se envolve com uma garota diferente, com quem nunca consegue manter um relacionamento, tendo que fugir. E vai embora pedindo carona com sua mochila nas costas e uma melancólica música de piano ao fundo.

Piano ao fundo...



     E o Hulk? Como surgiu? No primeiro episódio conhecemos a história do viúvo David (que nos gibis se chamava Robert, mas quiseram fazer uma menção bíblica do confronto entre Davi e Golias – que seria o Hulk – mas dentro de um só pessoa). David, interpretado por Bill Bixby, era médico e cientista, e queria descobrir o que faz com que as pessoas, em momentos de desespero, consigam criar uma força muito além de suas supostas capacidades. Isso porque ouviu relatos de pessoas que ergueram carros para salvar seus filhos e ele mesmo não conseguiu salvar a esposa. Ele descobre a relação entre os momentos dos eventos e a emissão de radiação gama pelo sol. Então resolve tomar uma dose de radiação. Mas sem saber que o aparelho emissor estava descalibrado, recebe um carga enorme, e a partir daí, em momentos de fúria e desespero, ele se tranforma num gigante verde de força descomunal e quase irracional, mas levado pelos instintos de David, que é uma boa pessoa, nunca faz mal aos outros. No final do segundo episódio, ele é dado como morto e resolve fugir, pois o Hulk é acusado de matar 2 pessoas. Em muitos episódios o repórter Jack McGee persegue as aparições do monstro.

McGee - incansável perseguidor
     Alguns episódios duplos foram exibidos nos cinemas, como “A Noiva do Incrível Hulk”, um dos mais dramáticos da -já triste- série. A série trazia explicações cientificas para as transformações e explorava muitos temas sociais, como uso de drogas, violência doméstica, preconceito racial, corrupção, aborto e outros. Havia muita ingenuidade na série comparando com nossa atual época de cinismo e banalização dos relacionamentos. David não pensava duas vezes antes de ajudar um estranho e se envolver com os problemas dos outros. Amizades eram valorizadas muito mais do que hoje.


Cena clássica da abertura


     A principal diferença entre a série e os heróis da época é que as pessoas riam de Clark Kent, por exemplo, mas idolatravam o Super-Homem, mas com o Hulk era diferente. Todos simpatizavam com David, mas tinham MEDO do Hulk.



     O Hulk era interpretado por Lou Ferrigno, um fisiculturista que fez filmes como Simbad e Hércules. Pra quem olha com atenção, dá pra ver que o ator usava sapatilhas em muitos episódios do Hulk. Como não enxergávamos na época? Era porque entrávamos na fantasia, e a magia do seriado era ver os olhos de David brilhando, as roupas rasgando (menos as calças) e o ouvir o rugido do Hulk, que quebrava paredes e jogava os malfeitores a distâncias enormes. 


Sapatilhas

     A editora RGE publicou no Brasil algumas tiras em quadrinhos baseadas na série da TV. Com roteiro de Stan Lee.

Clique para ampliar (em inglês)


    O seriado foi retomado em 1988 com 3 filmes para a TV, trazendo um triste final em A Morte do Incrível Hulk. David nunca conseguiu se livrar da maldição e morreu ao cair de um avião, depois do Hulk salvar uma das amadas de seu alter ego.



       Havia planos de mais um filme, mas o ator Bill Bixby faleceu em 1993 de câncer. Ele dirigia na época o seriado Blossom (que passava no sbt) e sua vida foi tão dramática quanto a de seu personagem. Perdeu um filho, a esposa o culpava, e casado novamente, foi abandonado pela mulher ao descobrir que estava doente. Ele concedeu uma entrevista emocionante a um canal de TV 2 meses antes de falecer, já bastante debilitado. Eis o link do vídeo legendado no youtube, mas não recomendo a quem não quiser ficar comovido:

      Pra quem gosta de reviver as séries antigas, as 5 temporadas e os filmes foram lançados em DVD no Brasil, embora esteja um pouco difícil de encontrar alguns itens. Existem planos de uma nova série do Hulk para a TV, mas sinceramente, não acredito que terá o charme da antiga, que tornou o Hulk um dos personagens mais populares do mundo.


Maquiagem do Hulk
Boneco baseado na série

2 de mar. de 2012

A Super

      
        A Supergirl ou Supermoça (Kara Zor-El) tem os mesmos poderes do primo Superman e é uma das personagens femininas mais populares da DC. Sua morte pelas mãos do vilão Anti-Monitor durante a saga "Crise nas Infinitas Terras" (quando sacrificou-se para salvar a vida de seu primo) é um dos momentos mais marcantes e dramáticos das HQs. A personagem foi criada por Mort Weisinger, Otto Binder e Curt Swan, e apareceu pela 1ª vez em maio de 1959.



      

      Assim como o Superman, Kara chegou à Terra em um foguete (escapando da morte certa na cidade de Argo City, que sobreviveu à destruição de Krypton mas teve a proteção que livrava seus moradores dos efeitos da kryptonita destruída por meteoros), e tem os mesmos poderes do herói em que foi inspirada: superforça, vôo, visão de calor, etc.
      O recente arco de histórias em 6 partes "A Supergirl de Krypton", escrito por Jeph Loeb e desenhado por Michael Turner, recontou a origem da personagem. Esta ótima saga foi publicada aqui no Brasil pela Panini, nos quatro primeiros números da extinta revista "Superman & Batman". A história mostra como Kara Zor-El, prima do Superman, chega à Terra após escapar da destruição de Krypton. Após reunir-se com o Homem de Aço e ser testada por Batman, Kara é levada para Themyscira pela Mulher-Maravilha para treinar com as amazonas e aprender a controlar seus poderes. A chegada da poderosa Kara chama a atenção de Darkseid, que a sequestra e manipula sua mente, para voltá-la contra Kal-El. Superman, Batman e Mulher-Maravilha, com a ajuda da heroína Grande Barda, vão até Apokolips para resgatar Kara e acabar com os planos do vilão. Esta história virou uma bela animação, lançada em 2010, intitulada "Superman/Batman: Apocalypse". Supergirl também ganhou uma simpática versão animada que apareceu nas séries do Superman e da Liga da Justiça. Além disso, a personagem ganhou vida na série "Smallville", onde foi interpretada pela bela Laura Vandervoort. 


Nos desenhos animados










     



Revista Supermoça - Editora Ebal

        E também não dá para esquecer do filme, de qualidade duvidosa, lançado em 1984, que teve Helen Slater no papel da super-heroína. Duvidosas também foram as inúmeras versões que a personagem ganhou nas HQs depois da morte de sua versão clássica, em 1985. A nova encarnação da personagem está tendo boas histórias solo, no geral, e aparece com destaque também nas aventuras do Superman. Kara teve também uma breve passagem pelos Novos Titãs e é uma integrante ocasional da Liga da Justiça. Ela também marca presença constante nas histórias da Legião dos Super Heróis (grupo do futuro), e tem ligações românticas com um de seus membros: Brainiac 5.


Supergirl no cinema




                                                                    Leandro Vargas


       Mais uma vez agradeço, a colaboração do amigo Leandro, do blog Olhos Estranhos (link ao lado).

28 de fev. de 2012

Homem-Aranha e Seus Incríveis Amigos

       Hoje não falo de gibis, especificamente, mas relembro um dos desenhos que eu mais gostava quando era criança, que dá o título desta postagem. Andei assistindo os 24 episódios do clássico desenho de 1983, onde o aracnídeo trabalha junto com o Homem de Gelo (ou Homem Gelo) dos X-Men e Flama (na antiga dublagem acho que era Estrela de Fogo – que é o nome original). Claro que nas aventuras do trio, pela época, há muita ingenuidade e situações vexatórias. A heroína Flama, com seus poderes de fogo, foi criada primeiramente neste desenho e depois foi aparecer nos quadrinhos da Marvel, na equipe dos Novos Guerreiros. Na animação ela é a cara da Mary Jane, namorada de Parker nos gibis da época.
      Em episódios de mais ou menos 25 minutos, o trio enfrenta inimigos clássicos do Aranha como o Duende Verde, Kraven O Caçador, Mistério, Rei do Crime, Homem-Areia e também inimigos de outros heróis da Marvel, como o Dr. Destino (do Quarteto), o Fanático e Magneto (dos X-Men), Caveira Vermelha (Capitão América). Foi criado para a série o ridículo Videoman.

Muitos heróis também fazem suas participações – na maioria das vezes inúteis, já que o Aranha resolvia tudo: Capitão América, Hulk, Thor, Dr. Estranho, Namor e uma aparição-relâmpago do Homem de Ferro. Destaque para o primeiro espisódio, onde os personagens vão a uma festa a fantasia onde todo mundo está vestido de herói. Aparecem várias figuras da Marvel dançando, hehe.
     Na série, Peter Parker e a Tia May alugam quartos para Bobby Drake e Angelica Jones, identidade dos amigos do Aranha. No quarto, ao moverem uma estátua, os móveis giram e o laboratório deles aparece, com passagem secreta e tudo. Ah, e ainda tem a participação da cadela Senhora Leoa.


O interessante desta série são as piadas que Bobby e Peter fazem, sempre provocando um ao outro e sempre dando em cima de Angélica. Eles são amigos mas disputam o coração da heroína, formando um triângulo amoroso. Ela sempre trata bem os dois, não demonstrando preferência, e sempre comenta sobre suas saídas com outros caras. Dois romances inclusive aparecem na série, um ex que agora virou uma ameaça e ela “fica” com o herói japonês Fogo Solar. Num certo episódio o Homem de Gelo chega a dizer pro Homem-Aranha algo como: Você gosta muito dela, né? É, eu também, mas fogo com gelo não combina. Por que você não fala pra ela? O Aranha responde: Porque se ela disser não, adeus Amigos do Aranha. E essas discussões aconteciam sempre enquanto lutavam ou se preparavam pra ir atrás do inimigo.
       Além disso, ao entrar em ação, Flama e Homem de Gelo se transformavam rapidamente enquanto o Aranha demorava mais, tendo que trocar de roupa, o que era engraçado. A dublagem antiga foi alterada, colocaram no Homem-Aranha a voz do desenho dos anos 90. Não lembro das vozes antigas, mas a de Bobby está muito engraçada agora. Eles está sempre falando bobagem e às vezes chega admitir que fala demais ou que não foi feliz com sua piada.





     Não lembro bem o ano nem o programa em que passava esse desenho na Globo. Bem que podia passar de novo, a criançada ia se divertir muito e sair gritando como os heróis: Amigos do Aranha, vamos nessa!

23 de fev. de 2012

ESPAÇO GIBIBLIOTECA

        Um espaço para leitura e empréstimo de livros e revistas em quadrinhos. Localizado na Rua Marechal Deodoro nº 1189, em Santa Vitória do Palmar-RS. A princípio estará aberto apenas aos sábados. Compareça, prestigie. Faça seu cadastro e boa leitura! No youtube: http://www.youtube.com/watch?v=OMAQJc-Wkr0









           Edições raras, super-heróis, mangás, turma da Mônica, Disney, livros infantis, Tex, títulos diversos... tudo para compartilhar com quem gosta de ler!


19 de fev. de 2012

Diversidade

      Algumas edições diversificadas que fazem parte do acervo do Projeto Gibiblioteca, que trará novidades em breve:

      Alfarrabista 1 - Revista produzida em Pelotas-RS, com ótimas histórias, destaque para a que ilustra a capa, que homenageia os artistas de rua. Embora seja a mais curta, considero a melhor.



      Pantera 4 - aventuras de detetive, quadrinhos (mexicanos acredito) bem legais. Tem até uma série de TV do personagem. De Daniel Muñoz e Jorge Ponce.



     
      Raio Negro 1 - com as primeiras histórias de um dos maiores super-heróis nacionais, baseado no Lanterna Verde e com visual de Ciclope dos X-Men. Criado nos anos 60: Roberto Sales, um tenente da Força Aérea Brasileira, foi escolhido pelos militares para ser o primeiro astronauta do Brasil. Ele decola o seu foguete Santos Dumont 1 e recebe um pedido de socorro telepático do moribundo E.T. Lid, de Saturno. Como forma de agradecimento pela ajuda, ele dá de presente pro militar o poderoso anel de energia negra antes de morrer. Quando Roberto volta pra Terra, ele usa secretamente seus incríveis poderes para salvar os fracos e oprimidos. Bônus: aventuras do Homem-Lua (!). Personagens do Ítalo-brasileiro Gedeone Malagola.



     Lady Death - da editora americana Top Cow, com arte do brasileiro Mike Deodato. Minissérie em 2 edições. Existe um longa animado da personagem, que conta a história que precede essas edições, vale a pena conferir.

10 de fev. de 2012

Muito loucos!

      O acervo Gibiblioteca conta com uma edição muito legal, pra quem curtia o desenho na Mtv nos anos 90 (e agora estão de volta!), essa dupla de caras... hã... como dizer... idiotas!



       É o Almanacão Beavis e Butt-Head nº 1, lançado pela editora Escala já há um bom tempo, e produzido pela Marvel, com homenagens a alguns heróis.
       Como dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, pra terem uma noção do que é o gibi, escolhi a imagem abaixo:


3 de fev. de 2012

O Deus do Trovão...

 ...em algumas imagens legais:

Visual clássico (anos 60)





Anos 80-90
Trovejante (Eric Masterson), uma variação do herói


                A Edição 5 da saudosa GHM, de 1984, trazia curiosidades sobre o personagem, texto sobre a cultura nórdica e histórias muito boas, que mostravam a mãe de Thor, Gaia, seu nascimento outros momentos que os fãs não conheciam da vida do herói. E uma viagem no tempo leva Thor a encontrar Conan, um episódio de "O que aconteceria se...". Nota 10! A capa foi produzida no Brasil.


                Uma piadinha pra fechar o post:





30 de jan. de 2012

Transformações na Turma da Mônica

30 de Janeiro - Dia do Quadrinho Nacional


    Não vou falar da Turma da Mônica Jovem, não, embora seja bem legal. Falo do universo tradicional mesmo. Aí está a palavra: tradicional! Acho que os leitores nostálgicos são aqueles muito observadores, ou seja, são fãs de quadrinhos pra valer! O leitor comum e ocasional não percebe as transformações.




    Bom, eu mesmo já tinha reparado, mas estava lendo no site salivagasta.org o texto (bastante desbocado) de Cauê Madeira “Cansei da Turma da Mônica” e concordo com ele em vários pontos, embora discorde de suas conclusões.

    Bom, as transformações a que nos referimos (eu e ele) são referentes à qualidade dos roteiros, e pra mim até dos desenhos que, não sei se por um aspecto nostálgico, considero inferiores aos antigos, da época da Editora Abril. Isso também pode se dar devido à repetição dos temas, coisa impossível de não ocorrer, pois os personagens se mantém com 7 anos há décadas fazendo as mesmas molecagens e mantendo suas características. Talvez até o final dos anos 90 o problema fosse mesmo falta de criatividade (ver o P.S.) ou liberdade criativa, pois o Mauricio controla mesmo seus personagens e padroniza a coisa. Tudo bem, a empresa é dele mesmo!
    Concordo que gostaria de conhecer os nomes dos criadores das histórias, que diferente de outros gibis, não são creditados. Até porque nas histórias atuais têm aparecido bastante uma diferença de estilos e alguns desenhistas e roteiristas muito loucos têm feito historinhas muito engraçadas, com um toque nonsense e sarcástico, com um toque de humor pros fãs mais velhos e caretas impagáveis dos personagens! Citações a absurdos como o “Pônei cor-de-marmelo” sonhado pelo Cascão são um exemplo.


Como é o nome dele mesmo? Hehe brincadeira... é o Xaveco!

    Para os professores, tem histórias ótimas para trabalhar a metalinguagem, pois o que tem aparecido de personagens secundários reclamando por mais espaço nas histórias, não está no gibi. Ou melhor, está sim! Exemplo: A Denise (que agora ganhou traço permanente) e o Xaveco (sempre zoado pela condição de secundário) e sua irmã Xabéu (agora filhos de pais divorciados). E tem os seminovos como Marina, Nimbus e Do Contra.
    Outra que tomou forma foi a Carminha Frufru. E tem os eternos Reinaldinho, Fabinho, Tonhão da rua de cima e os heróis da turma: Capitão Pitoco e ursinho Bilu. Mas estou saindo do assunto, né?

    Incomoda um pouco o aspecto do “politicamente correto”, onde acho que exageram. Nas histórias atuais, os meninos não escrevem mais nos muros os desaforos para a Mônica, apenas colam papéis. O Cascão não brinca mais no lixão nem toma banho de lama. E o Chico Bento não pode mais caçar e nem segurar sua espingarda de sal (essa até passa).
    Mas se formos considerar essas coisas, o Cebolinha e os outros não vão poder mais xingar a Mônica: baixinha, dentuça, gorducha. E o preconceito como fica?  
    Também questiono a implicância com a Mônica, que chega a ser complexada com o peso (e é do mesmo tamanho dos outros personagens). Não estamos colaborando com uma geração de leitores anoréxicos?
    Que bobagem! É que na verdade é pura birra, provocação, brincadeira.
    Ainda do texto citado: "Outro dia fui ler uma historinha em que o  Cascão constrói um barco e enquanto os outros meninos traziam a madeira necessária o Cebolinha avisava: “é madeira de reflorestamento”. QUEM QUER SABER? F***-se se é madeira de reflorestamento ou se derrubaram onze árvores recém-brotadas no bairro. Não importa. É ficção, é molecagem."

    Quando essas frases comprometidas começam a influenciar na qualidade da história, concordo, é um saco! Mas acho que falo isso pela falta de paciência que adquiri depois de leitor formado e adulto, hehe.

    Imagino se os gibis fossem publicados na Coreia do Norte...

    Nos termos de cidadania também a criação de personagens chega a ser forçada. Dorinha, a  cega, Luca, o cadeirante, que protagonizam histórias ruins de doer. Só vale a intenção mesmo de inclusão e conscientização. Só queria que valorizassem mais o Humberto que já dá campo pra muita história boa e não é aproveitado. De centenas de gibis que tenho, li umas 5 ou 6 proveitosas. E apenas 1 ou 2 que falava da linguagem de sinais.


Luca



    Como disse o rapaz no site, o problema é que isso parece criar uma obrigação de agradar a cada elemento da sociedade: “Quero ver um personagem soropositivo, quero ver um personagem adotado, quero ver uma criança com câncer, quero ver um viciado em crack, quero ver um que é molestado pelo tio.”

    Exageros à parte, como professor acredito que as tentavivas têm sido válidas de atingir um público mais humano e que aceite as diferenças, só tem que caprichar um pouco mais nos roteiros em si e deixar a vida nos quadrinhos ser mais “natural”.


Humberto

    Apesar de tudo, continuo adorando a Turma da Mônica.

    E minha filha não me deixa mais ler. Eu pego um gibi e lá vem ela: “Pai, conta uma tólia pa mim?” – ainda bem!


   P.S.: Mas já li muita história fraca (pra dizer o mínimo), como a do Cascão que termina no nada falando da bola de capotão, sem final, sem piada, sem sentido. Meu amigo Daniel Sanes lembra bem.

26 de jan. de 2012

Sensibilidade e Corações Negros

Ann Nocenti. Este é o nome da criadora de histórias memoráveis do Demolidor, publicadas nos anos 90 na revista Superaventuras Marvel. Com desenhos do ótimo John Romita Jr., vemos a origem do filho do demônio Mefisto, Coração Negro, que mais tarde tentaria destronar o pai.






As histórias têm temas bastante filosóficos e profundos, por vezes em cenários abstratos, como quando o herói cego, juntamente com alguns companheiros de aventuras (incluindo a filha de um fazendeiro inescrupuloso, uma mulher modificada geneticamente para ser perfeita e dois inumanos) vai parar no inferno, confrontando tentações, medos e ficando no limiar da insanidade, com se viu em histórias posteriores.
Destaque para as edições 138 e 139 de SAM, o clímax do texto, onde todos os personagens passam por testes perpetrados pelo demônio, que acaba traído por seu filho e confronta, por fim, o Surfista Prateado. Só mesmo lendo para ver a maravilha que é a sensibilidade do texto da autora. Marcou minha adolescência e ainda mexe com minha cabeça ao ler pérolas como as interpretações no contexto da história para ditados como: “o céu sabe quem você é”, “cuidado para não afugentar um anjo à sua porta”, ou quando os anjos com chifres e demônios de auréola falam de elitistas e dos cavaleiros Lancelot e Galahad.
É puro deleite literário. Recomendo!



E uma edição com o mesmo desenhista, mas com Howard Mackie no argumento e que trouxe novamente o filho de Mefisto, agora enfrentando outros heróis é Motoqueiro Fantasma/Wolverine/Justiceiro – Corações Negros. Os anti-heróis da Marvel são convocados a uma cidade do interior e acabam indo ao inferno para salvar uma menina raptada por Coração Negro (que foi totalmente descaracterizado no filme do Motoqueiro Fantasma). Bastante ação e um roteiro mediano, mas é válido pelos bons personagens e o encontro inusitado deles. Nos EUA teve uma continuação, nunca lançada por aqui.