12 de nov. de 2018

Adeus, Stan Lee!

    
Muito triste, recebo a notícia da morte de um de meus poucos ídolos, Stan Lee, criador dos heróis Marvel. Com 95 anos, Stanley Martin Lieber fez sucesso com seus personagens heroicos e humanizados ao mesmo tempo.










            De origem pobre, trabalhou desde cedo pra ajudar a sustentar a família, começou a escrever com cerca de 19 anos, e logo assumiu várias funções dentro da editora de quadrinhos Timely, que mais tarde se chamaria Marvel Comics. Escrevia histórias em prosa para o Capitão América. Alistou-se para a 2ª Guerra Mundial, e designado como roteirista, escrevia e desenhava panfletos sobre doenças sexualmente transmissíveis para os soldados.
Mais tarde, ao retornar do front, quando seu chefe pediu para escrever sobre uma equipe de heróis, para concorrer com a Liga da Justiça da concorrente DC Comics, ele criou o Quarteto Fantástico, diferente por não usarem máscara, serem celebridades e principalmente, serem uma família de aventureiros. Baseado no Tocha Humana dos anos 30, no Homem Invisível da literatura, e outros.
Em seguida, buscando mitos nórdicos, criou o Poderoso Thor, que com o tempo desenvolveu um padrão de linguagem mais rebuscado, shakespeariano.
Com o Homem-Aranha, ele falou sobre bulliyng, sobre os dramas adolescentes e a responsabilidade de um órfão estudioso que tinha que cuidar da tia idosa que o criou e fazia sacrifícios para defender sua vizinhança de malfeitores, mesmo que sua vida pessoal não lhe desse muitas alegrias.
Um monstro temido de bom coração, baseado nos clássicos "O Médico e o Monstro" e "Frankenstein" - O Incrível Hulk! Todos até aqui transformados pela radiação, uma paranoia mundial da Guerra Fria. 




Um playboy milionário, com uma armadura tecnológica, mas com problemas cardíacos para a época da Guerra do Vietnã? Homem de Ferro!
Heróis contra o preconceito, só porque nasceram diferentes: O X-Men, representando os conflitos raciais dos ano 1960, alimentados pelos proeminentes Martin Luther King e Malcom X. Era a luta das minorias representada nos gibis!
Demolidor, um herói cego criado por Stan Lee, mostrando a realidade dos portadores de deficiência e não tratando-os como incapazes, o que agradou o público, que respondia enviando cartas comentando as histórias.
Os primeiros super-heróis negros, como o Pantera Negra, rei de uma nação africana nunca colonizada. E outros como o Falcão e Luke Cage, que viviam em bairros violentos, foram criados por colegas durante sua administração da empresa. Histórias que falavam sobre o perigo das drogas e o uso de armas de fogo também eram presentes nessa época.
Como se não bastasse escrever dezenas de histórias por mês, os personagens ainda interagiam entre um gibi e outro, num universo integrado e organizado.
Stan Lee ouvia a opinião dos leitores e os tratava com carinho e camaradagem, como se todos fossem membros de um clube. Em entrevistas, sempre foi atencioso e alegre, fazendo piadas o tempo todo, mesmo com suas criações.
Foi assumindo cargos maiores na editora, até que seu nome fosse sinônimo de Marvel, juntamente com seus maiores desenhistas e demais roteiristas, como Jack Kirby, Steve Ditko, John Buscema, Gene Colan, John Romita, Joe Simon, Don Heck, Sal Buscema, Roy Thomas e muitos outros.
Assumidamente um falso intelectual, caprichava ao máximo na linguagem para que suas histórias, além de dramáticas, trouxessem ideias mirabolantes, com termos científicos e palavras rebuscadas, para que o leitor ampliassem seu vocabulário, tanto buscando no dicionário ou aprendendo o sentido pelo contexto.
Escreveu alguns gibis especiais, como O Surfista Prateado, colocando toda sua ideologia da não-violência, da preservação da natureza, da busca pela paz e da elevação do espírito humano, de um sentimento de fraternidade, captando a atmosfera da era hippie, em 1968. O Surfista era seu preferido, pois dava voz a seus pensamentos, dizia Lee.

E justamente o citado Surfista Prateado que me fez virar fã de carteirinha da Marvel, e principalmente de Stan Lee.
Fazendo pontas em filmes e séries, criando novos personagens, participando de conferências e dando entrevistas bem-humoradas, Stan se manteve ativo até o fim, quando já não enxergava direito e com problemas de saúde, perdeu sua esposa de muitos anos, Joan, e foi noticiado na mídia que estava sofrendo abusos de sua filha e empresário, em brigas e forçando-o a participar de eventos quando sua debilidade já não permitia mais.



A marca de Stan Lee? O sorriso, a simpatia, o bom-humor e as mensagens humanas em suas melhores histórias, clássicos inesquecíveis. Quem acompanhava sua carreira, lia seus textos e assistia suas entrevistas, com certeza o considerava um membro da família, assim como ele dizia que éramos todos heróis da família Marvel.
Adeus, amado e admirado Stan Lee, e muito obrigado por ajudar na criação de todo um Universo. Excelsior!


          





            




6 de nov. de 2018

Leituras de Novembro

 


































 Spawn/Batman - o primeiro crossover dos personagens, por Frank Miller e Todd McFarlane,  em 1997. Spawn é o zumbi com poderes do inferno que fez pacto com demônio e era um assassino, mas aqui é bem amigável perto do Batman extremamente reclamão e violento de Miller, que tenta criar um climinha gótico no início, mas cai na mesmice, num roteiro meio bobo, fazendo os dois heróis brigarem e se xingarem até que Spawn convence o morcego de trabalharem juntos contra a vilã que quer destruir o mundo com uma bomba nuclear. Bom é a Image Comics, então, o que vale é curtir a revista sem muita expectativa e se divertir com os desenhos e piadinhas infames dos diálogos. Em algumas cenas Spawn está de máscara, para em seguida aparecer sem, e voltar no quadrinho seguinte, hehe.







Graphic Marvel 6 - Justiceiro: Retorno ao Grande Nada - tive várias vezes essa edição, e agora ganhei ela e tive que reler. Escrita e desenhada pelos mesmos autores da minissérie original do personagem, mostra o passado de Frank Castle no exército, descobrindo crimes de seu sargento, e que anos depois volta a enfrentar, numa história muito bem escrita e desenhada, com ação, violência e um Justiceiro inteligente, emotivo ao relembrar da família e implacável com os inimigos!





X-Men Anual 1 - Dias do Futuro do Presente (editora Abril, 1994) - com histórias retiradas das edições anuais de Quarteto Fantástico, X-Men, Novos Mutantes e X-Factor. Esta HQ se relaciona com a saga "Dias de Um Futuro Esquecido" e outras em que é abordada a personagem Rachel Summers, mostrando sua origem como "farejadora" de mutantes, escravizada pelo vilão do futuro chamado Ahab. Uma manifestação adulta  e confusa de Franklin Richards bagunça a realidade, desfazendo o que acha não estar certo, interferindo com sua versão criança e trazendo de sua memória pessoas que ainda não existem. Ele pretende mudar o futuro onde viveu, e se reencontrar com sua amada Rachel, mas ela não lembra direito dele. Ciclope e Jean descobrem que Rachel é sua filha do futuro, mas nesse futuro o pequeno Christopher, filho de Ciclope, não deveria existir. Uma confusão temporal está formada, e resta descobrir o que é possível fazer para combater Franklin e Ahab e salvar os quye forem afetados no caminho, como os feridos Arcanjo e Homem de Gelo, bem como Sue Richards e Ciclope, transformados em farejadores. O formatinho não valoriza a história, que embora não seja de todo ruim, é um pouco confusa de se ler fora de uma sequência que introduza os personagens. O melhor momento da edição é o Epílogo, onde Jean Grey, em frente a seu próprio túmulo, conversa com uma sobrevivente dos campos de concentração nazista, que conta sua história e como teve de viver várias identidades durante sua vida.


 

Biblioteca Histórica Marvel: O Surfista Prateado  - volume 2: Dez anos depois de ser lançado o volume 1, com as seis primeiras edições da série clássica do personagem, a Panini ressuscitou a coleção apenas para lançar este encadernado com 12 histórias. Valeu a pena! Mesmo! A edição está um capricho, sem erros de digitação, de grafia, sem erros ortográficos, sem traduções truncadas, e com um colorido especial, acima da média comparando até muitos originais americanos. O Surfista Prateado enfrenta, sob a batuta do mestre Stan Lee e desenhado por John Buscema, uma cópia de si mesmo criada pelo herdeiro de Frankenstein (originalmente publicada no Brasil em Heróis da TV 38), o fantasma do Holandês Voador manipulado por Mefisto (Capitão América 15 e 16), se envolve com uma guerrilha sul-americana (HTV 47), é vítima de bruxos que invocam o Abominável (HTV 3), luta com o robô Flagelus (HTV 5), se depara com o Homem-Aranha (Capitão América 2 e 76), batalha com o Tocha Humana (HTV 1), e sofre nas mãos de Mefisto, tendo que atacar a SHIELD (HTV 52). Já, na história final, desenhada por Jack Kirby, ele conhece os Inumanos, numa história meio sem conteúdo, e que foi o final da série. Curiosamente, ao final, o Surfista, furioso com a violência na Terra, promete se tornar impiedoso com os humanos, mas a história nunca foi continuada. As histórias de Lee tinham quase sempre uma mensagem sobre paz, amor e compreensão, mas nota-se que a produção perdeu qualidade em algumas edições, seja pelas histórias mais simples, como a do Abominável e Flagelus, ou a forçada briga com o Aranha e o Tocha, sendo a luta muito improvável já que o Surfista é muito mais poderoso e só não vence por ser piedoso. Além disso, nas histórias finais muitos quadros não tem cenário de fundo, ficando pobres e com o personagem solto, lembrando as tiras antigas do Fantasma, de Lee Falk. A arte-final de Chic Stone também deixou os traços de Buscema diferentes na aventura contra Mefisto e Shield, embora o formato americano e as cores da edição estejam boas. No formatinho ficou péssimo quando li. Este material havia saído em preto branco na Edição Histórica 2 do Surfista lançada pela Mythos, mas meu sonho era ter essas histórias como estão agora, num formato de luxo, com belo acabamento, com biografias, índice, texto introdutório, bem traduzido, com papel especial! Não fique na dúvida, o material é clássico demais!!! Pena que a lombada não seguiu o padrão do volume 1, mas tá! Nota 10 mesmo assim! Embora o texto possa soar um pouco datado, com vilões estereotipados com frases clichês, era ainda o começo dos anos 1970, e sinceramente eu prefiro esta época de heróis bons a atualidade, com anti-heróis violentos em demasia e zoeiros. Marvel raiz, Surfista Prateado é essência! Era  a voz do querido e saudoso Stan Lee. Foram estas histórias que me faziam refletir, imaginar um amor como o de Norrin Radd e Shalla Bal, e questionar nosso mundo. Se os super-heróis foram a bússola moral de gerações, digo: o Surfista Prateado foi a minha. Este material (volumes 1 e 2) significam muito pra mim.





Batman - O Messias: ótima minissérie escrita por Jim Starlin e desenhada por Bernie Wrightson, onde o heróis é capturado e manipulado pelo Diácono Blackfire, de origem indígena e com centenas de anos. Batman sofre uma de suas primeiras derrotas e fica inseguro, e é ajudado pelo Robin Jason Todd a retomar uma Gotham sitiada por fanáticos da seita. História cheia de momentos delirantes, reflexões, e no final uma grande sequência de ação. Recomendo! Curiosidade: na história, publicada no Brasil em 1989, é dito que um videocassete custava mil dólares!!





Necronauta - O Soldado Assombrado e outras histórias: material fantástico, em todos os sentidos, de Danilo Beyruth, que desenha e por vezes escreve o personagem. Autor também dos ótimos álbuns do Astronauta da série Graphic MSP e também "Bando de Dois", aqui temos um personagem com um conceito muito legal: um salva-vidas dos mortos, que resgata almas perdidas no limbo, que criam mundos e objetos de acordo com suas obsessões. Montado em seu Necrodisco e usando um cinto de utilidades, utiliza visualmente alguns elementos de Batman, Justiceiro e outros, mas nem de longe chega a copiar nenhum. E gostei mais das histórias escritas pelo próprio Danilo, com o soldado que carregava culpa de ter sobrevivido na guerra e perdido seus companheiros, e a última, colorida, com o homem que queria levar ao pós-morte seus bens materiais. São histórias com ação e terror, mas com conteúdo espiritual. Faz refletir, tocando fundo no leitor. Pena que demorei a conhecer este gibi! Nota 10!!





Demolidor 13 - com seu jovem parceiro e pupilo Ponto Cego fora de ação, atacado por Elektra, Matt Murdock lida com situações confusas por causa de algo misterioso que fez para recuperar sua identidade secreta. Elektra, por exemplo, acredita ter tido uma filha sequestrada pelo Demolidor, sem saber que é seu ex-namorado Matt. O Homem-Aranha aceita ajudar seu companheiro a recuperar uma maleta com informações sigilosas, mas desconfia que algo está errado por ter tido, de alguma maneira, sua mente manipulada. Essa é a nova fase do Demolidor, ainda mostrando a que veio. Numa edição anual, ele ajuda a surda Eco a enfrentar o Garra Sônica, que transforma as pessoas numa espécie de zumbi sonoro, como um vírus musical. E ainda, Melvin Potter, o Gladiador, surta novamente, prometendo voltar como vilão da série. O novo uniforme do herói, preto vermelho, é muito legal, mas sinto falta do traje clássico!


Conan Edição Hstórica 2 – O Conquistador: A saga do novo rei da Aquilônia, enfrentando traições, atentados a sua vida e seu trono, combatendo criaturas mágicas, feras selvagens, magos imortais, guerreiros ferozes, exércitos inteiros e as próprias limitações por estar mais velho. Épicas aventuras de Conan, com cerca de 45 anos, onde é enganado, raptado, e encontrando uma bela e valorosa mulher, Zenobia, que pretende transformar em sua rainha, tendo para isso que passar por inúmeros percalços na era hiboriana. Com desenhos de John Buscema e Gil Kane e roteiros de Roy Thomas, baseados na obra original de Robert E. Howard, eis uma edição de 400 páginas que o levarão, em uma longa e prazerosa leitura, a um mundo de fantasia sórdido e deslumbrante. Edição impecável da Mythos Editora, que embora tenha um preço salgado, dá pra encontrar em promoção de vez em quando e fazer valer a pena mais ainda.
  


10 de out. de 2018

Coleção Marvel Especial

    Adquiri recentemente através de um leilão no Facebook a coleção completa, em ótimo estado de conservação,  desta série de especiais lançados pela Editora Abril em 1986 e que durou até 1991. Foram 10 edições com republicações, cujas histórias clássicas eu já conhecia ou tinha em outras edições, inclusive algumas eu já possuía ou havia possuído anos atrás. Comentarei as edições à medida que for lendo, ou melhor, relendo esses clássicos, assim como fiz com a Marvel Fanfare ao longo deste ano.





Marvel Especial 1 -  Homem-Aranha X Duende Verde: Com as páginas editadas e alguns cortes, a equipe da Abril fazia o que podia pra levar as melhores histórias aos leitores, e o texto também era reduzido devido ao tamanho dos gibis brasileiros em comparação ao formato americano, o que, por vezes, tornava menos enfadonho, pois Stan Lee, embora genial e imaginativo, era, nos primórdios da Marvel, por vezes verborrágico demais.
       Aqui temos a primeira aparição do Duende Verde, desenhado por Steve Ditko, e que conheceu o Aranha antes mesmo de Peter Parker conhecer seu filho Harry Osborn (mas os leitores ainda não sabiam a identidade do Duende). História de 1964, trazia Peter Parker namorando Betty Brant, secretária do Clarim Diário. Peter era abordado por Liz Allen, esculachado por Flash Thompson (que ironicamente era fã do Homem-Aranha), Tia May estava sempre doente e sem dinheiro, e o Aranha ficava com a imagem cada vez pior frente a seu chefe, editor do jornal onde Peter era fotógrafo. Por exemplo: ele abandonava a luta na frente de todos para atender Tia May com seus ataques cardíacos. Eram bem humanas as desventuras do herói. Nas duas primeiras histórias participaram, respectivamente, Hulk e Executores, e Tocha Humana. As histórias adentram os anos e vamos a 1968 e adiante.
      Na terceira aventura, Peter se vê com ciúmes do ex-namorado de Betty, e o Duende desmonta uma organização criminosa que se negou a reconhecê-lo como líder. O bando acaba preso e o Duende não tem mais ninguém para liderar!
        Na quarta história, O Duende tenta se aliar ao Mestre do Crime, mas este se nega e acaba, se enfrentando. O mistério da identidade do Duende aumenta. Foswell, um ex-detento trabalhando no Clarim, se infiltra entre os criminosos como o "Caolho" e ajuda a prender todos, pois conhecia a identidade do mestre do Crime, que conseguiu aterrorizar os bandidos numa tentativa de montar uma organização. O Duende chega a derrubar o Aranha para mostrar que era mais eficiente, e quase desmascaram Peter, que teve que comprar um uniforme numa loja de fantasias que lhe ficava curto, pois Tia May sumiu com o uniforme original.
        Com Peter Parker nos primeiros dias de faculdade e fazendo amizade com Harry, a última história da edição, chamada " Como era verde meu duende", foi desenhada por John Romita, com argumento de Stan Lee. Tudo fica mais interessante quando o Duende descobre a identidade do Homem-Aranha, revelando também quem é e como se tornou o Duende. Uma das melhores fases do Homem-Aranha até hoje! Um verdadeiro clássico dos quadrinhos! Após torturar Peter, Norman Osborn sofre um colapso mental e esquece tudo que se passou, sendo poupado pelo herói, que deixa Norman retomar sua vida.  Pena que esta edição não trouxe o título das histórias. Mas pelo menos tem bons textos introdutórios, bem como uma bela capa desenhada pelo brasileiro Watson Portela, assim como a próxima edição, comentada a seguir.
          




 Marvel Especial 2 -  Homem-Aranha X Duende Verde: Publicada numa edição especial em preto e branco nos Estados Unidos,  a história "A Ressurreição do Duende Verde", é uma das melhores histórias do Aranha, com vários painéis e quadros com belos desenhos, além de muita ação. Norman relembra tudo, ameaça Peter novamente, que acaba repetindo o que fez na última vez, tirando Norman de ação ao causar uma nova amnésia. O drama de Peter era não poder acabar com o pai de seu melhor amigo. Estas histórias foram bem homenageadas no primeiro filme do Homem-Aranha com Tobey Maguire: a tensão do jantar com a presença dos inimigos é um exemplo. 
     Em seguida, o prelúdio para a tragédia, com desenhos de Gil Kane - Norman retoma de vez sua loucura e volta a ser o Duende, só parando com o ataque ao se deparar com Harry, que faz sua mente voltar à identidade normal, pois o lado Duende se nega a aceitar que é Norman. Harry começa a usar drogas, e a culpa é de Mary Jane, que ainda namorando com ele, começa a dar em cima de Peter descaradamente enquanto Gwen está fora e depois dispensa o coitado! Gwen retorna de Londres e temos um final feliz para Peter...por enquanto!
     No último capítulo, o clássico de 1973 escrito por Gerry Conway onde o Duende, no auge de sua loucura, rapta Gwen e a joga da ponte George Washington. O Homem-Aranha joga sua teia e então ficamos na dúvida: ela já estava morta ou foi o impacto causado pelo puxão com a teia que quebrou o pescoço dela? O que o Duende disse não se considera muito, pois é louco! Tristeza e comoção para qualquer fã do Homem-Aranha na história "A noite em que Gwen Stacy morreu!"






Marvel Especial 3 - A Saga dos Deuses Nórdicos: Épico! Esta palavra define o valor desta obra. Uma pena que o formatinho deixasse os belos desenhos de John Buscema tão pequenos. Seus traços galantes e imponentes dos personagens asgardianos são perfeitos para o tipo de narrativa que Steve Englehart e Stan Lee precisavam para contar suas histórias. 
      Na primeira parte, de 1976, que conta com a origem do mundo na visão da mitologia nórdica, Thor se encontra com Hércules e após empatarem numa batalha para defender, respectivamente, seus adoradores, preparam uma batalha entre os panteões de deuses gregos, do Olimpo, e dos nórdicos, de Asgard. Mas os príncipes aprendem uma dura lição, engendrada por Zeus e Odin, que em sua sabedoria, evitam a guerra, provocada, em parte, pelas maquinações de Loki.
       Na segunda história, a republicação da saga O Mundo do Além, de 1971, onde Odin e Thor enfrentam o Infinito, uma aparição cósmica  comandada por Hela, a Deusa da Morte, e que na verdade era uma manifestação sombria de Odin.
        Da primeira vez que li este gibi, muitos anos atrás, fiquei impressionado com  a altivez dos personagens asgardianos, o linguajar caprichado e "shakespeariano" por assim dizer, usando o imperativo e a 2º pessoa do plural (vós). Tudo isso colabora para formar uma base para os personagens, sua forma peculiar de discurso (assim como o Coisa do Quarteto Fantástico, com sua fala coloquial e com erros).  Fãs de verdade do Thor devem conhecer essa fase clássica ou, por Asgard, farei com que o Deus do Trovão grite: Revolvei, céus, turbilhonai, nuvens, e atendei seu mestre e senhor!








Marvel Especial 4 - As Grandes Batalhas: São 4 confrontos. No primeiro, temos o Surfista Prateado em seu primeiro encontro com Mefisto, onde o demônio traz Shalla Bal à Terra e oferece riquezas na tentativa de comprar a alma do herói, um clássico de Stan Lee e John Buscema. Em seguida, escrito por Bill Mantlo e desenhado por Sal Buscema, o segundo encontro do Surfista com o Hulk, num conto que lembra o seriado de TV do Hulk, uma história bem escrita e com todo um ciclo de tragédias pessoais entrelaçadas. O Surfista busca a ajuda de Bruce Banner para usar a radiação gama na tentativa de escapar da barreira de Galactus, e chega a livrá-lo do fardo de ser o Hulk. Mas no processo de absorção da força gama, atrapalha a felicidade de Bruce. Ele escapa da barreira, mas tem que retornar à Terra para salvar Bruce, e no fim ambos continuam com suas maldições. Ainda nesta edição o confronto do Mestre do Kung Fu com o lutador conhecido como O Gato, que marcou época por conta de uma sequência de luta fantástica desenhada por Paul Gulacy sob o roteiro de Doug Moench. Fechando a edição, a primeira história solo do Capitão América depois que foi reintegrado ao Universo Marvel em 1964, onde enfrenta bandidos que tentam invadir a mansão dos Vingadores. Desenhos de Jack Kirby e roteiro de Stan Lee.














Marvel Especial 5 - Surfista Prateado: trazendo uma coletânea de três histórias da série clássica, esta edição apresenta a irmandade Badoon tentando invadir a Terra, bem como o alienígena conhecido como O Estranho plantando uma bomba na tentativa de aniquilar a raça humana. Ambos são derrotados pelo Surfista, que sacrifica sua própria liberdade para defender os humanos que o odeiam. Em meio a isso ele faz uma amizade, Al Harper, que morre desmontando a bomba do Estranho. A terceira história leva o Surfista Prateado a um futuro sombrio, onde O Supersenhor domina o universo. Texto clássico de Stan Lee e desenhos majestosos de John Buscema. Um do meus gibis favoritos, tanto que tenho várias cópias dele.






Marvel Especial 6 - O Homem-Aranha: com a republicação de uma história em 4 partes que saíram na revista Marvel Fanfare (e no Brasil em Grandes Heróis Marvel 4), traz o Homem-Aranha e o Anjo enfrentando Sauron e os Metamorfos na Terra Selvagem. Os heróis são salvos por Ka-zar e Zabu, depois de serem transformados em monstros. O Aranha volta pra casa e o Anjo chama os X-Men, que acabam capturados também, mas vencem no final, sempre graças a Ka-zar. Ainda nesta edição o encontro do Homem-Aranha com Sonja (incorporada em Mary Jane), e outra desenhada por Frank Miller, onde o Doutor Octopus tenta envenenar a cidade através da tinta de impressão do Clarim Diário, mas é atrapalhado pelo Aranha e pelo Justiceiro. Nesta história o Justiceiro é preso. 



Marvel Especial 7 - A Saga de Fênix (parte 1) - O clássico de Chris Claremont e John Byrne, republicado em formatinho. Uma bela arte e uma excelente história. Nesta edição, depois de um breve momento de calmaria,  o Mestre Mental (antigo membro da Irmandade de Mutantes), infiltrado no Clube do Inferno como Jason Wyngarde, seduz aos poucos Jean Grey, criando uma ilusão do século XVIII. Ao mesmo tempo, a Rainha Branca prepara o primeiro ataque aos X-Men, enquanto estes conhecem Cristal e Kitty Pryde. Wolverine em um de seus melhores momentos, se vingando de Harry Leland. Ciclope consegue um momento de distração para que Jean se liberte do controle mental, mas o estrago já havia feito em sua mente, e o poder que vinha crescendo em Jean se manifesta como a Fênix Negra, que derrota seus antigos aliados e vai ao espaço, onde devora uma estrela, matando bilhões de seres e atacando uma nave de guerra Shiar. Lilandra toma ciência do ataque e Ciclope sente que Fênix está voltando para a Terra! Li isso dezenas de vezes e ainda é emocionante!!!











Marvel Especial 8 - A Saga de Fênix (Conclusão) - Fênix é contida pelo Professor Xavier em sua volta à Terra, graças à força de vontade de Jean Grey. Mas o Império Shiar teletransporta os X-Men para o espaço, pois pretendem eliminar a ameaça de vez. Charles Xavier invoca um desafio de honra, e o grupo enfrenta a guarda imperial de Lilandra nas ruínas da área azul da lua terrestre, onde vive o Vigia. Os X_Men perdem a batalha, e ao ver Ciclope caído, Fênix retorna, mas em um breve momento de sanidade enfrentando seus amigos, Jean Grey se suicida, ativando uma arma escondida nas ruínas. É fim de uma história que marcaria para sempre os quadrinhos da Marvel. Não era mais "divertido" ler quadrinhos. Os personagens eram demasiado humanos!!! Na história chamada "Elegia", Ciclope relembra toda a existência dos X-Men, repassando suas principais aventuras, antes de abandonar o grupo. Nesta edição ainda a história "O que aconteceria se Fênix não tivesse morrido?". Depois de controlar a Fênix com uma cirurgia cerebral realizada pelos Shiars, num final diferente para a saga oficial, Jean retorna com os mutantes para a Terra, e Fênix acaba retornando, a princípio numa existência benéfica, mas com o passar do tempo ela começa a consumir asteróides, como Galactus a avisou ao se defrontarem, pois ser uma deusa demandaria muita energia. jean sai escondida à noite e viaja ao espaço, até que é descoberta e perde o controle, matando os X-Men e Ciclope, o que a faz consumir-se em culpa e, no processo, incendiar com o efeito Fênix a cidade,  a Terra, e então o Universo inteiro...



Marvel Especial 9 - Capitão América: Edição de novembro de 1990, com o Capitão prestes a comemorar 50 anos, traz alguns confrontos com a Hidra. Mas sinceramente é uma edição bem chata! Com histórias de 1969 e 1971-1972, no primeiro episódio o destaque é para arte "diferentona" de Jim Steranko, muito cinematográfica e dramática, fazendo mistério e com cores chapadas. O roteiro de Stan Lee tentando restabelecer de novo a identidade secreta do Capitão foi competente, mas meio bobo com a visão de hoje. Com a mesma visão de hoje, as outras histórias também soam maçantes e piegas, pelas falas dos vilões, os rompantes dramáticos do herói, e principalmente pela tentativa de dar destaque ás personagens femininas, mostrando um esquadrão da Shield só de mulheres, mas dando ás personagens comportamentos estereotipados, como a Agente 14 (Val de La Fontaine, futura senhora Nick Fury), que tenta fazer ciúmes em Sharon Carter por seu relacionamento com Steve Rogers. Sharon é meio vitimizada e ciumenta,  e o Capitão, passional demais, e tendo que salvar as meninas toda hora! As histórias começam a ficar interessante quando Wilson Fisk, que estava no comando da Hidra, descobre que o agente que tentou matar era seu filho. mas logo aparece o Caveira Vermelha com seu robô Hibernante e a história fica boba de novo, caindo na mesmice. Vamos perdoar porque eram os anos 70 e os personagens ainda estavam ganhando público, mas são quadrinhos sem grandes pretensões e histórias que não colaboram em nada, puro entretenimento.



Marvel Especial 10 - Capitão América: com pedaços de vários gibis diferentes, de várias épocas e autores, é contada a origem do heróis e de seus predecessores. Após Steve Roger ser dado como morto, o herói conhecido como Independente assume o manto e acompanha os Invasores, que mudam o nome para Esquadrão Vitorioso após a 2ª Guerra. Ele morre em batalha e então seu colega, o Patriota, fica em seu lugar. Anos depois um professor chamado William Burnside descobre  a fórmula do supersoldado do Dr. Reinstein (ou Erskine) e a usa, depois de fazer plásticas para ficar igual a Steve Rogers e até assumir esse nome. Ele injeta também a fórmula no menino Jack Monroe (que assume a identidade de Bucky e mais tarde seria o Nômade),  e entram em ação como Capitão e Bucky, mas com o tempo, sem a aplicação dos raios Vita eles se tornam violentos e são colocados em animação suspensa pelo governo. Foram histórias criadas para explicar as aparições do Capitão em gibis nos anos que precederam o retorno do original, em 1964. Ainda nesta edição duas aventuras do Capitão e Bucky durante a guerra, por Lee e Kirby, e uma dos invasores contra deuses nórdicos manipulados por um nazista robótico, o Dreno Mental.

William Naslund, o Independente



Morre Naslund, Mace assume como Capitão América

Jeffrey Mace,  o Patriota

William Burnside e Jack Monroe