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22 de fev. de 2013

Elektra: Assassina

   Bom, primeiramete gostaria de dizer que há muitos anos queria ler esta obra. Três fatores me diziam que TINHA que ser boa esta obra: Elektra, Frank Miller e Bill Sienkiewicz. Uma personagem interessante, o cara que a criou e que geralmente faz histórias clássicas, e um ilustrador excepcional. Precisa mais?



    Lançada primeiramente como minissérie pela Editora Abril e depois encadernada pela Panini, a obra requer um olhar sensível e maduro do leitor. A arte é praticamente surrealista, e o roteiro, cheio de flashbacks e não apresenta uma linha contínua de ação. É arte pura em movimento, é introspecção e subjetividade, dos personagens e do leitor. O que está nas páginas não necessariamente é o que está acontecendo. Um pouco difícil de digerir na primeira leitura, ainda mais pro leitor iniciante, que certamente fica confuso.



    Para entender a trama é bom que se conheça a fase das histórias do Demolidor criadas por Miller e que apresentaram Elektra, lançadas certa vez como Elektra Saga. Esta última, juntamente com o Graphic Álbum "Elektra Vive", são visões do criador sobre a personagem.



    Em Elektra Assassina, o agente do governo John Garret persegue a ninja e acaba dominado por ela, que tenta deter a entidade conhecida como "a Besta" de causar uma guerra através da manipulação do presidente dos Estados Unidos. As primeiras partes descrevem a mente confusa da ninja grega, que havia sido aprisionada, e aos poucos a história vai ficando mais clara.
     Eu conheci certos elementos da história há alguns anos, quando foram resgatados na saga da ressurreição da personagem, na revista Superaventuras Marvel.



     Não pretendo falar mais da história, pois não há muito que descrever a quem não vai realmente ler.  A obra é ação, ficção, experimentação, alucinação, sedução e um deleite para os olhos - um charme só. 
     Análises melhores podem ser encontradas no site Universo HQ ou blogs de leitores. Se você ler as entrevistas dos autores presentes na edição, vai entender melhor.
     Procure conhecer os quadrinhos da ninja Elektra. Mas não veja o filme - aquilo foi um crime!!

Atriz linda - filme ruim pra dedéu!!

21 de fev. de 2013

Fraude no livro "Sedução do Inocente"!

    Se você é um grande fã de quadrinhos, deve ter ouvido falar do livro "Sedução do Inocente", que causou polêmica nos anos 1950 nos Estados Unidos ao dizer (e convencer a maioria) que os gibis faziam mal aos jovens. As pessoas promoviam queima de gibis nas ruas, foi uma onde de histeria na época. Pois vejam o que foi descoberto:

  Fredric Wertham manipulou dados do livro



  A Professora Dra. Carol L. Tilley, da University of Illinois Graduate School of Library and Information Science, afirma que o psiquiatra Fredric Wertham manipulou os dados usados no livro A Sedução do Inocente.

Num artigo publicado no Information & Culture: A Journal of History Tilley revela que Wertham modificou os dados obtidos em seus estudos para escrever o livro, como, por exemplo, a idade das crianças, a omissão de fatores mitigantes e a distorção de citações.
Em 1954, Wertham foi chamado para depor sobre delinquência juvenil, na subcomissão do senado dos Estados Unidos, justamente em virtude dos "méritos" do livro Sedução do Inocente. O resultado direto da investigação foi a criação do Comic Code Authority, o código de censura dos quadrinhos e a falência da E.C. Comics, na época a mais relevante editora de quadrinhos dos EUA, especializada em histórias policiais e de terror.



   A pesquisa de Tilley foi iniciada com um propósito diferente. Quando os arquivos pessoais do psiquiatra - que faleceu em 1981 -, preservados na Biblioteca do Congresso, foram colocados à disposição do público, em 2010, ela buscava saber se Wertham havia trocado correspondência com bibliotecas e bibliotecários naquele período. O que ela descobriu, entretanto, foi a manipulação sistemática das entrevistas e de outros dados usados no preparo do livro.
   Em Sedução do Inocente, Wertham diz que recebeu um grande volume de cartas, enviadas por bibliotecários, reclamando dos quadrinhos. Em sua pesquisa, Tilley encontrou apenas uma dúzia - se tantas - de cartas. Esse é apenas um dos exageros cometidos pelo médico. Ele tinha uma clínica de baixo custo, no Harlem, em Nova York, na qual diz ter atendido milhares de jovens problemáticos, mas na realidade esse número está na casa das centenas.


   Segundo Tilley, o livro possui péssima documentação. Não existem citações diretas ou bibliografia. Não há meios exatos de saber quais as bases dos fatos relatados ou das pessoas mencionadas. Quando tentou corroborar as informações publicadas com as entrevistas com os pacientes, ela encontrou dezenas de  distorções, omissões e até mesmo invenções por parte de Wertham.
    Segundo Wertham, o garoto Edward, de sete anos, passou a ter pesadelos após ler a revista The Blue Bettle (título do personagem original, da Fox Comics, que vendeu os direitos do mesmo para Charlton Comics em meados da década de 1950, muito antes de o Besouro Azul fazer parte da DC Comics), sobre um herói que se transformava em um besouro, e sugere que a história é "Kafka para crianças".
Tilley encontrou as anotações sobre Edward, na qual o médico escreveu que o menino não se lembrava do conteúdo dos pesadelos. Além disso, o Besouro Azul não se transforma literalmente num inseto.
Sobre Batman e Robin, Wertham diz que eles representam os desejos de dois homossexuais vivendo juntos, atribuindo a citação a um jovem de 13 anos, em liberdade temporária, recebendo tratamento psiquiátrico por ter abusado sexualmente de outro menino, que se imaginava como o "Robin", e que queria ter relações com o "Batman".

   A pesquisa de Tilley revelou que o garoto preferia ler Superman, Crime Does Not Pay (famosa revista de HQs policiais) e histórias de guerra, muito mais do que Batman. Além disso, ele omitiu o fato de que o garoto havia sido atacado sexualmente anteriormente.
Em alguns casos, Wertham menciona jovens que ele não tratou, como a garota Dorothy, de 13 anos, que era paciente da Dra. Hilde Mosse.

Comic Code AuthorityA verdade é que Wertham modificou palavras, datas, citações e muitos outros fatos, embora algumas citações tenham sido transcritas na íntegra, para comprovar as suas teorias.
Tilley afirma que existem lições sobre o caso Wertham relativas ao funcionamento do que chamou de pânico cultural de massa. Ela publicará sua pesquisa numa edição futura do Journal of Research on Libraries and Young Adults. Ainda sobre o psiquiatra, Tilley diz que, embora ele tenha distorcido os fatos para suportar suas teorias, Wertham não deve ser transformado num grande vilão, pois existem muitas outras evidências de que o médico tinha boas intenções quanto aos jovens e seu empenho em atividades de assistência social.
Wertham não foi o causador da histeria contra os quadrinhos da década de 1950, mas é um dos mais notórios.
    Para encerrar, a pesquisadora afirma que uma pesquisa feita em 1953, um ano antes da famigerada subcomissão do senado sobre delinquência juvenil, apontava que 90% das crianças e 80% dos adolescentes nos Estados Unidos liam quadrinhos. Os números mostram que a proporção entre as HQs produzidas e a população era de 6,5 revistas em quadrinhos vendidas por habitante.


A Sedução dos Inocentes 

fonte: Universo HQ

17 de fev. de 2013

Camelot 3000

    Há muitos anos ouvi falar de como era Camelot 3000. Há mais anos ainda eu via as propagandas que vinham nos gibis sobre esta série, que sempre tive curiosidade de ler. Foi publicada 4 vezes no Brasil, algumas vezes con cortes. Certa vez achei as edições em formatinho, mas o dono do sebo conbrava os olhos da cara e acabei desistindo, tinha outras prioridades.

    Agora, com os scans, pude conhecer este clássico dos quadrinhos, o tão falado retorno do Rei Artur Pendragon no ano 3000, para enfrentar uma invasão alienígena. O que achei? Nada demais! 
    Sim, eu ultimamente ando muito exigente e não consigo elogiar o que não satisfaz completamente meu gosto pessoal de leitura, mas não ousaria dizer que a obra de Mike Barr é ruim. Longe disso. Desde os ótimos desenhos de Brian Bolland, passando pelo texto que flui e dispensa excessos, a trama bastante simples tem dramas batalhas que agradam ao fã de aventura, e mesmo os não conhecedores da lenda da távola redonda  irão gostar, é um ótimo passatempo, com uma colorização diferente. Eu assumo que não li nenhum livro sobre as aventuras, mas as referências estão em toda parte, são da cultura popular lembro vagamente de um ou outro filme, desenhos, quadrinhos,  o nome de Merlin e a parte da espada Excalibur na pedra.




    O destaque mesmo vai para os cavaleiros reencarnados em versões Samurai, Trambiqueiro, Milionário, a traição da Rainha com Lancelot e claro, o problema de Tristão, que se vê numa versão feminina e inicialmente resistindo a se envolver com sua amada Isolda.




    Levando em conta a época do lançamento (inicio dos anos 1980), a série foi bem ousada em tratar a questão das mulheres amantes, tanto que parece que foram cortadas no Brasil algumas dessas partes consideradas tabus.

    Minha avaliação: Bom, mas nem tanto quanto eu esperava!! Mesmo assim, é indispensável aos fãs de quadrinhos (pelo menos para não passar vergonha emtre os nerds).