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2 de mar. de 2014

O ARAUTO DE GALACTUS - PARTE 5

      Volta à venda nas bancas brasileiras este mês uma edição que é uma aula de arte. Até mesmo o review da Graphic Novel 11 (edição antiga) no site Universo HQ foi feita em versos, em homenagem a esta bela obra.



   Como já postei anteriormente aqui, repito abaixo meu texto (SPOILERS):

   De Stan Lee e Moebius. Uma das mais aclamadas histórias do Surfista Prateado. A HQ preferida de Stan Lee (e uma das minhas). Num futuro distante, o Surfista vive por vontade própria na Terra, como um mendigo. Então Galactus chega e se diz um Deus, diz que não existem mais regras morais e a sociedade se entrega ao caos. O Surfista volta à ação e enfrenta seu antigo mestre. O Devorador de Mundos havia prometido não destruir a Terra, mas não havia prometido não deixar que a própria humanidade se destruísse. Um líder religioso aproveita para se promover, até que Galactus mata sua irmã. Então ele e o povo abrem os olhos e o plano do gigante azeda. O Surfista é tido como herói e salvador. A humanidade deseja um líder que a leve ao caminho certo, quer respostas fáceis. O Surfista finge ser um tirano e os homens (ironicamente com exceção do antigo líder religioso) não percebem que era tudo para mostrar-lhes que devem procurar a fé em si mesmos. História cheia de mensagens (daí o título) e menções ao prejuízo do fanatismo religioso. O Surfista, mais do que nunca, é a imagem de Cristo, nas palavras que profere e nas atitudes que toma.




    Algumas falas do personagem na antiga edição:

Obedecer? Obedecer, quando crianças destroem suas escolas? Obedecer preceitos que jogam irmão contra irmão e aprisionam os desamparados?”

“Fé sem julgamento apenas degrada o espírito.”

“A pureza reside na alma, não em nossos berços.”

“Onde estaria a bravura se desistíssemos da luta porque há pouca esperança? Devemos ser impelidos pelo objetivo, não pela disputa.”


“Apenas os covardes ou bajuladores veneram o poder. O que há de divino em mostrar força? O que há de sagrado na brutalidade? Guerras e crimes, pobreza e pestes... apesar de tudo, a chama do espírito humano ainda almeja a nobreza.”

“Nenhum homem pode ser colocado acima dos demais. A chama divina está em todos... ou em ninguém.”
 

 
Enquanto isso, lá nos EUA está sendo lançada uma nova série do personagem, com uma abordagem diferente. Acompanhado de uma garota humana, ele singra o epsaço em novas aventuras.




1 de mar. de 2014

Quadrinhos e Cinema 5 - Os 3 Filmes do Justiceiro




          Criado como coadjuvante, quase um vilão nas histórias do Homem-Aranha, o Justiceiro ganhou anos depois um gibi próprio, baseado nos livros da série "O Executor", de Don Pendleton.

            Em 1989, Dolph Lundgren interpretou o personagem no filme O Justiceiro, que fez um relativo sucesso se considerarmos o gênero, batidíssimo desde que a história é a mesma da série Desejo de Matar e de muitos outros filmes: homem tem a família assassinada e começa a matar criminosos, ou melhor, punir criminosos, já que o nome original do personagem é Punisher (punidor – em espanhol, el castigador). Nesse filme, até bom pra época em que adaptações de quadrinhos não eram levadas nem um pouco a sério, só faltou o símbolo do anti-herói, uma caveira branca na camiseta. De resto, o visual até que tava legal, e o roteiro, mediano, mas com muitos erros técnicos. Ele tem que resgatar filhos de mafiosos que foram sequestrados pela Yakuza. Tem um informante mendigo e um ex-colega de polícia que tenta ajudá-lo (Louis Gosset Jr.). A origem, ou seja, a morte da família, só é citada por um telejornal. Passou várias vezes na globo, no Domingo Maior, até pouco tempo antes de estrear a nova versão. Eu gosto bastante dessa versão, talvez por nostalgia do VHS - Nota 7 considerando a época.





          Com a nova onda de filmes baseados em gibis, não demorou pra ser produzido O Justiceiro, de 2004, que não chegou a estrear nos cinemas brasileiros, embora tivesse se saído bem nas bilheterias lá fora. Tinha até cartazes nos cinemas e data prevista, mas foi cancelado poucos dias antes. Desta vez o ator (dedicadíssimo, apaixonado pelo personagem e que merecia outra chance) era Tomas Jane que faz o papel de Castle, que prestes a se aposentar, teve pais, filhos, esposa, tios, toda a família (mesmo) morta a mando de um mafioso cujo filho morreu numa operação na qual Frank agia disfarçado. O roteiro é baseado nos personagens e histórias cômico/violentíssimas escritas por Garth Ennis, simplesmente um doente psicótico que adora sangue e tripas. Mas o filme não tem tanto sangue, não, fica tudo implícito. O diretor era estreante, e o filme foi massacrado pelos fãs e críticos por causa do humor e exageros, mas é sem dúvida um bom entretenimento. E pra mim, tem seus momentos marcantes, como a cena em que ele tortura Mickey com um picolé fazendo-o pensar que é um maçarico - cena dos gibis - publicada em Grandes Heróis Marvel 50 (ed. Abril). O problema é que mostra apenas um ensaio para o que viria a seguir (matar criminosos em geral). Na trama ele se vinga apenas do mafioso (e a família e capangas, é claro) interpretado por John Travolta. Nota 7!





O ator Tomas Jane encarnou o personagem novamente num curta independente, mostrando seu carinho pelo personagem, mas não adiantou para ser recontratado! Nos EUA saiu um DVD com a versão do diretor, mas aqui é inédita, infelizmente.


      


      2008 -  a Marvel Studios lança o primeiro filme com o selo Marvel Knights, novamente contrataram uma diretora estreante (de novo?) e o ator Ray Stevenson para o filme O Justiceiro Em Zona de Guerra. Desta vez a origem é a mais fiel aos quadrinhos, mas é mostrada em flashback, ou seja, não é uma continuação da versão de 2004. Também não chegou aos cinemas por aqui, não é pra menos! Temos novamente roteiro baseado nos episódios de Garth Ennis (ou seja, violência e sangue desta vez não faltam), mas novamente os exageros aparecem, pegam todos os personagens dos arcos legais, misturados, os efeitos são manjados, a luz é muito artificial e se perde muito tempo com o personagem trocando de armas e cartuchos de munição no meio de cenas de ação. Não gosto também quando dão importância a personagens novos nos quadrinhos e não os clássicos. É o caso do parceiro de Frank, Microchip, perito em informática e fornecedor de armas, que aparece no filme apenas como coadjuvante. Já o policial Martin Soap, um idiota que serve de alívio cômico nas HQ's, tem chance de aparecer em futuros filmes. O vilão é o Retalho, que teve o rosto desfigurado por Castle, e que tem uma fala ridícula e manjada: Billy morreu, me chamem de Retalho. Mais clichê impossível. 


            Claro que é um bom passatempo, mas aposto que esse terceiro filme será rapidamente esquecido. É só pose! O ator não convence também - quase não fala e sempre a mesma expressão! Nota 6 (e tô sendo generoso!).

            Já prometeram um seriado do personagem, mas não boto fé! Ainda não fizeram um filme à altura do personagem...