16 de set de 2019

Anúncios de gibi

Gibis anunciando outros gibis:


Quanto ao primeiro, vou postar esta análise que fiz para minha pós-graduação em Mídias na Educação em 2014:




      A propaganda analisada foi veiculada na edição de março de 1990 da revista em quadrinhos Urtigão nº 74, pela editora Abril Jovem. Foi inserida no verso da capa da revista, apresentando uma chamada para a segunda edição de um novo lançamento da editora, uma proposta para estudantes da língua inglesa se aprimorarem, ou seja, uma revista em quadrinhos com texto em inglês. Na capa da edição da qual se faz propaganda, o personagem Mickey, de Walt Disney, como um astronauta sendo espiado por um alienígena espantado com suas orelhas. Como frase de efeito, foi usada a expressão: “Yes, nós temos Mickey em inglês.”, em letras maiúsculas pretas e de forma, sobre um fundo listrado vermelho e branco, representando a bandeira norte-americana (país de origem das histórias em quadrinhos do produto, como é explicitado no texto abaixo da figura principal). A frase de efeito utilizada faz menção (uma paráfrase) a um bordão popular que se originou na letra de uma marchinha de carnaval chamada “Yes, nós temos banana”, do compositor Carlos Alberto Ferreira Braga, vulgo Braguinha, criada em 1937 para o carnaval do ano seguinte. A música foi gravada, entre outros, por Carmem Miranda, e faz menção às qualidades da fruta tropical símbolo do Brasil, assim como a propaganda realça as qualidades da editora, que se orgulha de apresentar um produto diversificado no meio de tantos títulos de sucesso (final dos anos 80). Além disso, estudando a época de lançamento da revista, nota-se também que no ano anterior, 1989, a escola de samba carioca São Clemente trouxe como samba-enredo a canção “Made In Brazil, Yes Nós Temos Banana”, o que ajudou a reforçar na memória popular o bordão já antigo à época. Na letra fazia-se crítica à economia em crise do Brasil, com o Plano Cruzado, inflação e valorização do dólar. Época conturbada, moral brasileira em baixa, mas mesmo assim a editora Abril trazia às bancas brasileiras um gibi tendo na capa o Mickey segurando com orgulho a bandeira americana sendo cravada em outro planeta ou “mundo”. Seria coincidência ou descarada política expansionista e imperialista? No mínimo, curioso. Mas levanta questões interessantes sobre o poder e a ideologia da propaganda.
  



















10 de set de 2019

Leituras - Setembro 2019

Salvat Vermelha - Homem-Máquina: Trazendo a primeira edição do personagem com este nome (não sua primeira aparição), por ninguém menos que Jack Kirby. O personagem veio de uma série inspirada no filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, de 1968. Depois de algumas edições, o robô consciente X-51 chamou a si mesmo de Mister Máquina, mas depois de um tempo mudaram o nome do gibi e do personagem, que parecia um tipo de Inspetor Bugiganga, com pernas e braços retráteis e muitos utilitários, como patins e esteiras nos braços.  O personagem, denominado Aaron Stack pelo pai humano,ganhou destaque em vários momentos na Marvel, como na série Terra X, sempre trazendo o conflito de ser uma máquina com sentimentos, tendo que provar sua humanidade. Também nesta edição da coleção, duas edições de Marvel Two-in One, com Coisa e Jocasta e Coisa e Homem-Máquina, onde os robôs se conhecem e se apaixonam, enfrentam Ultron, e ela acaba sendo destruída. Em seguida a consagrada minissérie de 1984 escrita por Tom Defalco que se passa no futuro, no ano de 2020 (quase chegando), onde um reconstruído Homem-Máquina se junta a sucateiros rebeldes, que também são androides, para enfrentar sua antiga inimiga da corporação Baintronics. Foi publicada na revista Heróis da Tv e num encadernado da Panini. Com arte caprichada de Herb Trimpe e Barry Windor-Smith. Na trama, com um clima meio Blade Runner, o herói robótico reencontra Jocasta, mas o final é melancólico.








Disney Especial 126 - Os Temponautas (Março de 1991): Clássica coleção da editora Abril, com edições temáticas e personagens variados. Mais de 200 páginas de quadrinhos num grosso volume trazendo aventuras de viajantes no tempo. Na maioria das histórias o Professor Pardal está envolvido com suas máquinas do tempo. Mas além de histórias solo dele, o inventor maluco contracena com Tico e Teco, Tio Patinhas, Donald e sobrinhos, Mickey, Pateta, Margarida e sobrinhas, etc. Mas além de explicações científicas também os personagens viajam no tempo por meios místicos, magia e nuvens misteriosas. Mais de uma história se passa nos tempos de Robin Hood, como a protagonizada por Zé Carioca (desenhos de Renato Canini). Destaque para uma história intitulada " Objeto Voador Não Imaginável", com o selo "Clássicos Disney" num estilo diferente, com humanos e não animais antropomorfizados. Uma nave espacial com um astronauta e sua réplica robótica viajam aos tempos do Rei Arthur da espada Excalibur. Peninha no Egito antigo, Minnie nos tempos dos Druidas com Berloque Gomes, Grécia antiga, velho oeste, são muitas aventuras pra detalhar. Mas nota-se que os personagens não tem nenhuma preocupação com mexer nos fatos do passado, e as sobrinhas da Margarida, Lalá, Lelé e Lili com um total desrespeito com a Vovó Donalda, ao forçarem ela a relembrar quando foi Xerife, mesmo ela dizendo que não queria. Até mesmo enganaram ela pra entrar na máquina do tempo do pardal e jogaram ela no passado. Roteiristas sem muito compromisso e sem noção, hehe. O que valia era produzir histórias sem pensar em nada mesmo!






Cascão 321 (1999) - Na interessante e divertida história de abertura, "O Espião", Cascão acorda e encontra no pátio alienígenas, que ele pensa serem seus amigos brincando usando máscaras, mas curiosamente os etês não estranham o rosto do menino e o aceitam, dando-lhe um uniforme adequado. Após ingenuamente incitar um ataque ao seu bairro, Cascão percebe  a verdade e tenta fugir, mas na confusão, a história deixa em aberto se quem ficou na Terra foi o Cascão ou um espião infiltrado. Foi sinistro esse final, quando se descobre que todos os extraterrestres eram iguais ao personagem principal. No restante da revista, Penadinho, Zé Vampir, a mãe do Cascão inutilmente faxinando a casa e Cascão dando um susto no leitor quando passa calor vendo os outros tomando banho. Tem também outras histórias curtas, a maioria de duas páginas.


 



Cascão 324 (1999) - Cascão faz uma confusão por conta do sumiço da Jujuba, sua minhoca de pelúcia. Frank, da turma do Penadinho, descobre porque as mulheres desmaiam ao vê-lo. Uma historinha muda sobre a força da Mônica e uma do Bidu enfrentando outros animais, mas com medo da carrocinha de cachorro-quente. Muminho se acidenta mas no hospital não querem enfaixar pra economizar. Cascão com as mãos sujas e sua mãe não deixa almoçar. Um cachorro rouba a bola do cascão, mas não para morder. E ele passa um trabalho enorme para não molhar as flores que levará para Cascuda, apenas para enfim ela colocar num vaso com água.

 





Salvat Vermelha - Vingadores Secretos: ótima edição com a primeira história (pena que ficou incompleta) e mais 5 edições com uma história fechada cada. Um grupo diferenciado, que age de forma clandestina para deter ameaças em potencial antes que causem algum estrago. Steve Rogers, sem seu uniforme clássico de Capitão América, junto com Sharon Carter, Viúva Negra, Valquíria, o terceiro Homem-Formiga, Máquina de Combate,  Cavaleiro da Lua, Nova e Fera. Destaque para as explicações sobre viagens no tempo e a história final, que aborda o tema: se você voltar no tempo, voltará também no espaço, por exemplo se voltar uma semana poderá se materializar no vácuo do espaço, uma vez que a posição do planeta era outra, pois gira em torno do sol e em torno de si mesma. Calcular uma coordenada espaço-temporal seria quase impossível em eras pré-GPS. Surpresa boa da coleção, eu nada esperava e me diverti bastante lendo. É uma leitura rápida, sem muitas explicações contextuais e que funcionam muito bem isoladas. Cheias de ação, com toque de humor, bons desenhistas. Pra que mais?



Cosmic Powers 1 - Thanos (1994): edição importada que adquiri, escrita por Ron Marz e desenhada por Ron Lim, se passa após a trilogia do infinito original, quando Thanos saiu pelo universo buscando desafios que lhe dessem algum sentido e propósito. Não é o Thanos que Jim Starlin escreveria, parece um caçador de recompensas, diferente do personagem mais evoluído e maduro desenvolvido por seu criador. O traço do desenhista, porém, dá a impressão das histórias na fase pré Desafio Infinito. Começa com Thanos de pé sobre uma multidão de guerreiros derrotados, quando um último se levanta e é massacrado pelo titã. Ele chama sua nave e vai a uma câmara onde está sendo mantido um robô alienígena detentor de um conhecimento oculto que Thanos quer. Com uma sonda mental, ele adentra nos pensamentos da vítima,  incorporado numa armadura de samurai, onde enfrenta um guardião e encontra um valioso tesouro. O robô é destruído no processo, quando Thanos baixa os dados e os acessa, descobre a existência de Tirano, um poderoso ser cibernético (ex-arauto de Galactus) e recentemente havia enfrentado o devorador de mundos e seus arautos, com Bill Raio Beta, Gladiador, Valete de Copas e Ganymede, tudo isso nas revistas mensais do Surfista Prateado em 1993. Então Thanos se motiva a enfrentá-lo, e sai em busca de um aliado: Terrax. Quando um de seus servos robóticos avisa Thanos para ter cautela, é destruído sumariamente. Vilão é vilão! Mas aqui, como eu disse,  ele lembra o Doutor Destino com seus castigos a servos humanos e não o Thanos que havia sido desenvolvido nas sagas de Starlin. Mesmo assim, é uma bela edição!

 

 














Zé Carioca 2315 - Revista de 2007 com histórias republicadas. A primeira, "Pirando na pista", de 2000, é de longe a pior. Zé, Pedrão e Nestor entram de penetra nos bastidores da Fórmula 1enganando o guarda, e sem que se explique direito, encontram um sabotador. Um final bem sem graça. Depois, dos anos 70, uma desenhada por Renato Canini, onde o papagaio bagunça a casa de Rosinha enquanto assiste a um jogo de futebol e sem querer dá umas bordoadas num ladrão, e outra história onde Zé resolve trabalhar vendendo pipoca, mas tudo dá errado, até que, sem querer, derrota um ladrão! Em outra HQ de 1999, Zé, Nestor e Afonsinho agitam a vizinhança ao conseguirem convocar uns alienígenas, que fogem ao saber que na Terra existe trabalho (eles eram sósias do Zé Carioca). Em " O Mistério das jacas roubadas", Pedrão desconfia do Zé e quer bater nele, e os amigos não deixam. Zé põe a culpa em formigas saúvas, e quando o comprador usual das jacas assume que levou sem avisar o dono, Zé se livra do castigo, mas passa vergonha por sua investigação, e recebe um processo das formigas por calúnia.





Cascão 316 (1999) - Na história "Zumba!", um raro crossover de núcleos do estúdio Mauricio de Sousa: Cascão e Cebolinha vão passar a noite sob cuidados da babá Pipa. Eles a reconhecem das historinhas da Tina e ela disfarça, e depois, com a bagunça que os meninos aprontam, acaba desmaiando e é confundida com uma zumbi igual ao filme que eles estavam assistindo, que dá nome à história. A edição traz uma pérola dos anos 90: o álbum de figurinhas do grupo É o Tchan! do chiclete Ploc, e alguns anúncios das demais edições mensais da Turma da Mônica com versinhos. Também histórias do Penadinho e outras curtas, inclusive uma legal onde Cascão hipnotiza Cebolinha.









26 de ago de 2019

Turma da Mônica - Coleção Histórica 24

     Comentando o box nº 24 da coleção Turma da Mônica - Coleção Histórica, lançado em 2011:







Mônica 24, de 1972 - Uma história redesenhada do Mauricio de Souza, com Cebolinha, Franjinha, Titi e Manezinho, com elementos que hoje não são aceitos nas histórias, que vão desde a turma jogando lixo no chão, armas desenhadas (mesmo que sejas de um jogo de tiro num circo), animais aprisionados e o próprio conceito de crianças apostando e se colocando em perigo ao chegar perto de animais selvagens. Bidu foge do banho. Toneco é influenciado por seu amigo depressivo e briga com Tina, sua irmã. Coelho Caolho alucina que pula até a Lua, provocado por Raposão. Horácio enrola uma nuvem com um papo até saírem do deserto. Numa história meio sem sentido, que começa nos tempos de Piteco, um filósofo é solicitado pelo rei para eternizar sua cultura numa pedra, e séculos depois, Franjinha encontra e usa de forma banal. Na melhor história da edição, Astronauta encontra uma pedra do espaço que criou consciência e que muda de forma, e então acompanha ela de volta á Terra, onde observa o modo de vida humano, que apesar de mais desenvolvido em comparação a outras eras, mostra-se decadente. Mônica, a titular da revista, só aparece na historinha da última página.

























































Cebolinha 24 - Lançada originalmente em dezembro de 1974, traz na primeira história a Mônica inventando uma brincadeira com papéis dentro de um garrafão, com resoluções de ano novo, mas as mensagens não são as mesmas que ela pôs, e surge um mistério. Em outra história, Chico Bento não usa as botas novas e outros objetos para não "gastar". Cebolinha e Cascão fazem uma aposta de Mil flexões, mas cascão só consegue fazer 999. Também um porquinho levado apronta com Jotalhão, mas se dá mal, e a vingança dele também não dá certo. Rolo, acompanhado pela Tina, inferniza um publicitário com seu jingle para um concurso e ele paga pra se livrar do chato. Mais uma vez Cebola e Cascão brincam juntos de patins, um aprontando com o outro. Mauricio apresenta uma história chocante com uma mamãe mastodonte adotando filhotinhos, mas o pai se livra deles um a um, jogando-os em um buraco. E no final um plano infalível do Cascão, com uns fones de ouvido trazendo uma gravação de voz (tecnologia avançada pra 1974), e uma tirinha sem graça.











Chico Bento 24 - Numa história divertida, lançada em 1983, Chico acaba em apuros por causa do turismo predatório de uns aliens, quando um deles rouba um pedaço da página da história. Anjinho fica de porteiro no céu uns minutos e deixa todo tipo de malfeitor entrar. Um espertalhão vai até a vila trocar ouro "velho" por bichos de pelúcia, enganando as crianças, mas acabou levando prejuízo. Cafuné, amigo de Papa-Capim, encontra um "caraíba" desmaiado numa praia, mas ao ver o banquete sendo preparado, ele foge com medo de ser vítima de canibalismo. E Chico bento lida com a fama de campeão do concurso de mentiras.














Cascão 24 -  Original de 1983, traz de início uma ótima história do Capitão Feio atacando a casa do cascão em busca de uma cozinheira, mas a mãe do sujinho é mais esperta e dá um jeito de se livrar da enrascada. Pena que o estúdio Mauricio de Sousa abandonou até a postura de grande vilão do Capitão Feio e hoje em dia ele é mais cômico e atrapalhado, como dizem na própria revista, nos comentários de Paulo Back. Em seguida a turma pula tão alto numa cama elástica que o Anjinho tem que resgatá-los numa nuvem. Cascão também divide uma história com Bidu, mas se arrepende, pois o cãozinho fala com a dona Pedra, come osso, persegue gatos, namora, foge da carrocinha e assiste a uma novela antes de chamar alguém para ajudá-lo a sair de uma enrascada. Depois, Cascão tenta fugir da chuva e não consegue, pois tudo lhe acontece, desde uma onça na caverna até abelhas, e acaba entrando em desespero, sem saber que o trovão não era o que parecia. Penadinho quer conquistar uma fantasminha, mas ela o considera muito baixinho, ele tenta várias artimanhas para dar um jeito nisso. Também Cascão, de rolo com a filha do sorveteiro, pede que ela jogue sorvetes de cima do apartamento, e Cebolinha tenta tirar vantagem disso. E por fim, cascão dá uma de entregador de bolo, mas uma série de eventos atrapalham o pobre garoto.














Magali 24 (lançada em maio de 1990):- Magali devora as maçãs de uma bruxa, que lhe dá um bolo enfeitiçado que a faz ficar com a cara de cada comida que pensar. Tia Nena prepara um almoço vegetariano, e Magali sai perseguindo o "Cebolinha" com água na boca. Seu Carlito, o pai da comilona, ganha uma blusa de lã, mas Mingau acaba puxando um fio e destruindo a roupa. Em uma história muda de uma página apenas, Magali não alcança as frutas da árvore, até que chuta o tronco e se dá mal. E pedindo comida na rua para estranhos, Magali engole um anel valioso e é procurada pela polícia, mas Mônica e Franjinha ajudam.