Demolidor & Batman (1998) - Neste encontro Marvel/DC acontece o clichê dos heróis que se encontram, brigam e depois se unem para deter os vilões. Enfrentando o Duas-Caras e Mister Hyde, que estão roubando componentes tecnológicos e tentando criar um cérebro sintético com um projeto fracassado das indústrias Wayne. Com os vilões deixando um rastro de violência por onde passam, cabe ao Demolidor e ao Batman acertarem suas diferenças para deter o plano de Duas-Caras, que estava manipulando Hyde e fazendo o experimento nele sem que soubesse. Hyde é extremamente violento e ameaçador na história, e Batman chega a mencionar que ele tem um soco capaz de mandar o Superman fora de órbita. (Menos, né Morcego?). Roteiro de D.G. Chichester e desenhos de Scott McDaniel, dupla que trabalhava com o Demolidor na época.
HQs, leitura e educação: Resenhas, indicações e reflexões sobre histórias em quadrinhos.
11 de out. de 2021
10 de out. de 2021
Geraldão 2
Geraldão 2 (1991) - segunda edição (ou dentição como diz na capa) de material original de 1987. Fruto de uma época diferente, os cartuns e tirinhas de Glauco soariam muito mal hoje em dia. Fobia de Aids, piadas sobre feminicídio, preconceito, machismo, e uma certa fixação em sexo e masturbação permeiam a edição, assim como elementos da paranoia nuclear dos anos 80. O ápice da bizarrice é o julgamento de Geraldão por tentar estuprar a mãe, fruto, acredito eu, da popularização da teoria do complexo de Édipo de Freud. O casal Neuras vai finalmente casar, a contragosto do "marido". A colaboração de Pelicano é também no mesmo estilo, com violência paterna e o sofrimento de Jorjão, que colocou uma calcinha por não achar sua roupa de baixo e morreu a caminho do trabalho, e aí ganhou má fama, para desespero de sua alma que vagava. O humor que trazia crítica ao comportamento de uma sociedade que não queria falar sobre sexo e evitava temas "impertinentes" por vezes ajudava a perpetuar esse comportamento. Mas o trabalho dos autores foi importante para toda uma geração de jovens leitores brasileiros. Glauco pertencia à Santíssima Trindade dos "Los Três Amigos" junto com Laerte e Angeli, e infelizmente foi assassinado em 2010 junto com seu filho, num rancho onde comandava uma igreja.
9 de out. de 2021
O Mundo de Aisha
O Mundo de Aisha (A Revolução silenciosa das mulheres no Iêmen) 2015 - O Mundo de Aisha conta a história de várias mulheres que são violentadas desde crianças quando são obrigadas a casar, que precisam usar o niqab para andar na rua e obter algum respeito, que enfrentam vários preconceitos por trabalhar fora e sustentar os filhos. Mais que denunciar a vida hostil que elas levam, sendo tratadas muitas vezes como escravas e violentadas pelo próprio marido, a graphic novel é um grito de resistência das iemenitas que corajosamente relataram suas lutas diárias por direitos iguais e por liberdade. O relato de Aisha - que nomeia e encerra a narrativa – uma jovem que mesmo sofrendo pressão por parte do irmão para que case e pare de estudar, demonstra que sua prioridade é prosseguir com os estudos, deixa uma pontinha de esperança em meio a tanto sofrimento retratado. Através das fotografias e entrevistas de Agnes Montanari, Ugo Bertotti criou uma história em quadrinhos mostrando a triste realidade de diversas mulheres iemenitas, como Sabiha, que levou um tiro do marido porque queria fugir da violência e ficou aos cuidados da mãe, mas com poucas chances de sobreviver, ou Hameda, que aprendeu a cozinhar e abriu um negócio próprio enquanto era insultada pela rua. Cuidando de vários filhos e com um marido que não colaborava em nada, virou referência em seu país, sendo reconhecida por turistas e pelo presidente. Fatin pediu o divórcio após ser espancada, mas família abandonou e ao não poder pagar um táxi, foi presa e perdeu o pouco que tinha. Não pode mais conviver com os filhos também. Aisha e algumas outras mulheres tem um pouco mais de sorte, podendo estudar e trabalhar, desde que respeitem a cultura de usar o niqab e cobrir seu rosto. Num país onde existem mais armas do que habitantes e a figura masculina é autoridade familiar máxima, podendo quando quiser abandonar esposa e filhos à sorte nas ruas, pois é seu direito, a realidade é cruel para as mulheres. A leitura deste material traz diversas reflexões sobre as tradições e cultura do país e a nossa, falando por exemplo da "liberdade" da mulher ocidental, que sem se dar conta, vive presa a padrões de beleza e da moda. Edição que deveria estar nas escolas. - Lido e resenhado por Cássius Rodrigues e Mariane Vargas.
