21 de jan de 2013

Quadrinhos e as causas sociais

     Lendo a edição Grandes Clássicos DC - Lanterna Verde & Arqueiro Verde Vol. 1, resolvi comentar a edição que é magistralmente escrita por Dennis O'Neil e desenhada por Neal Adams, autores que nos anos 70 resolveram aproveitar a oportunidade dada pelo editor Julius Schwartz e publicar pela DC Comics histórias que tratavam de temas sociais relevantes para a época (e ainda hoje). O autor sempre foi um ativista social e quis nas histórias, em meio às aventuras, colocar um pouco de sua opinião sobre o retrato das minorias no país (Estados Unidos da América).




    Embora desde os anos 60 Stan Lee já tocasse em temas como violência, ecologia e guerras nas histórias do Surfista Prateado, as histórias deram um novo fôlego aos quadrinhos de super-heróis, considerados desde então um pouco mais seriamente e um modo de atingir e desenvolver um público pensante e crítico. As histórias do lanterna não vendiam bem, então o autor resolveu resgatar o Arqueiro e colocá-lo como um ativista anárquico, revoltado com as autoridades e disposto a atitudes radicais. Nos diálogos com o Lanterna (acostumado a simplesmente obedecer às leis e autoridades institucionais), os dois buscavam uma solução amena, problematizando sem encontrar soluções fáceis para os problemas sociais. A ideia era mesmo trazê-los aos olhos dos leitores.

     Vejam exemplos a seguir:

1) O  Lanterna Verde, que lidava com problemas cósmicos, teve que olhar para o microcosmo dos bairros pobres de seu próprio país.  

    Aqui ele é confrontado com seus valores de justiça e a questão da desigualdade social e racismo:

 
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2) O problema dos índios marginalizados (que também ocorre no Brasil - vide o recente conflito com os Guarani-Kaiowá) é retratado nas histórias em quadrinhos. 
    
    Repare nos quadrinhos a seguir o descontentamento com o governo e a demoara para as soluções - as histórias são muito atuais, como qualquer boa obra literária - no último quadro, o comentário da heroína Canário Negro expressa a escala de valorização de elementos sociais do autor.


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    No Volume 2 da coleção (que eu não li, mas tenho essa história e posso comentar) aparece a questão das drogas, quando o Arqueiro descobre que seu ex-parceiro de aventuras se tornou viciado. Ele não lida bem com o fato e demora a descobrir como ajudar o garoto, que sofria muito com a vergonha e a dependência, mas principalmente com a falta de compreensão e o preconceito das pessoas próximas a ele. Eram os quadrinhos retratando de maneira nua e crua os problemas da vida real.




   
       

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